... e parece que me excedi um pouco! O que deveria ter virado meia página ocupou sete páginas inteiras! hehe! Como eu sei que vão deletar pelo menos 1/7 do meu trabalho árduo e sofrido, resolvi postar aqui um pouco (tudo) do que escrevi! Aí vai o texto sobre o primeiro assunto: uma breve história da vida!
Podemos dizer que aconteceram cinco grandes "R-Evoluções" que mudaram a vida na Terra nos últimos 3,5 bilhoes de anos: o surgimento da fotossíntese; da respiração; dos eucariotos; da multicelularidade; e do sexo (ui!).
Nos primórdios da vida na Terra, não havia fotossíntese: as fontes de energia eram limitadas, e a competição por alimento escasso entre os microorganismos favoreceu a evolução da fotossíntese. O surgimento desse processo, que é um “milagre termodinâmico, mas sem a parte do milagre” (como dizem os irmãos Dalla Costa), levou à diversificação da vida no nosso planeta e aumentou os níveis de O2 na atmosfera. Por um lado, a vida podia se expandir com a fotossíntese, pois esse processo recicla o faltante alimento a partir do gás carbonico. Mas, por outro lado, o gás oxigênio era mortalmente toxico para os microorganismos da época e, quando sua concentração na atmosfera aumentou, muitas espécies sucumbiram.
Esse novo ambiente favoreceu a sobrevivência de seres capazes de tolerar o O2. Logo surgiram espécies capazes de respirar, que consumiam o “gás letal” para produzir energia metabólica. Isso novamente gerou diversificação da vida na Terra, já que os pobres organismos intolerantes a oxigênio deixaram muito espaço livre pra quem tinha sobrevivido.
Além das interações entre os seres vivos e o meio, as interações entre as diferentes espécies entre si também promoveram a diversificação da vida no planeta. Por meio de processos como a fagocitose, surgiram os eucariotos, seres com estrutura celular complexa. Os eucariotos apresentam membranas tanto no entorno quanto dentro das células, e essas membranas internas formam compartimentos celulares especializados e eficientes na realização de suas tarefas.
Os eucariotos, utilizando a energia rápida e abundante provida pela respiração do O2, originaram os seres multicelulares, com tecidos e órgãos especializados.
Além de toda essa R-Evolução vegetativa, ocorreu também uma R-Evolução sexual (e eu não estou falando de movimentos feministas!): a troca de material genético entre os organismos se desenvolveu, e a diversidade entre e dentro de espécies aumentou ainda mais. O problema é que com o surgimento do sexo surgiu também a morte... Que EMO, né?
Os seres que se dividem em dois podem passar TODA a sua informação genética para a "geração filhote", e por isso podemos dizer que eles não morrem!! Já os seres que trocam material genético não podem passar todos os seus genes para as gerações futuras em um único evento reprodutivo: cada parental passa apenas 50% de si mesmo para cada descendente. Cada indivíduo é único, e não dá pra viver pra sempre, né? hehe!
Para saber mais sobre esses assuntos, eu indico:
Margulis, L & Sagan, D. O que é vida? Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 2002.
Um link sobre estromatólitos (estruturas formadas por bactérias fotossintetizantes muito velhas e que existem até hoje - bem oldschool!): http://www.agencia.fapesp.br/materia/5610/noticias/fosseis-de-3-4-bilhoes-de-anos.htm